SAÚDE MENTAL E AUTOLESÃO ENTRE JOVENS SULMATOGROSSENSES: PERCEPÇÕES E IMPLICAÇÕES PARA O CUIDADO
DOI:
https://doi.org/10.16891/2317-434X.v14.e1.a2026.id2540Resumo
A autolesão, enquanto fenômeno complexo e multideterminado, é compreendida como o ato deliberado de provocar ferimentos no próprio corpo, sem intenção suicida ou finalidade de validação social. Diversos estudos indicam que a autolesão se configura como uma tentativa de alívio da angústia e do sofrimento psíquico, sendo praticada, principalmente por jovens. Na perspectiva da Psicologia da Saúde, este estudo tem como objetivo identificar e analisar as percepções de um grupo de jovens sulmatogrossenses sobre a sua saúde mental e o fenômeno da autolesão. Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, de abordagem qualitativa, realizado com estudantes matriculados no Ensino Médio de três escolas públicas de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Participaram 83 jovens, a maioria meninas, com idade entre 14 e 24 anos, os quais responderam um formulário autoadministrado no contexto escolar. Os resultados indicaram que os jovens percebem de forma negativa a sua saúde mental, especialmente as meninas, indicando a necessidade de se considerar os atravessamos sociais e políticos como determinantes da saúde mental. Metade dos jovens relataram indicaram já ter se autolesionado em algum momento da vida e 20,5% afirmaram que seguem se autolesionando. Os jovens indicam o acolhimento, a presença e a escuta compreensiva, como possibilidades de enfrentamento da autolesão, seguida do cuidado especializado de profissionais de saúde. Esses resultados apontam para a necessidade de construção e fortalecimento redes de cuidado acessíveis, articuladas e territorializadas, capazes de dialogar com a escola e com as juventudes sem reduzir o sofrimento à lógica do diagnóstico e da prescrição.