ANÁLISE CRÍTICA DAS ORIENTAÇÕES DE MONITORAMENTO DO DESENVOLVIMENTO DE CRIANÇAS COM SÍNDROME CONGÊNITA POR ZIKA VÍRUS
DOI:
https://doi.org/10.16891/2317-434X.v13.e4.a2026.id2596Palavras-chave:
Política pública de saúde, arboviroses, microcefaliaResumo
O impacto da Síndrome Congênita do Zika vírus (SCZ), nas crianças acometidas por alterações em seu desenvolvimento funcional e neuropsicomotor, compromete a qualidade de vida destas e de suas famílias. Este estudo teve como objetivo analisar as opções políticas de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento de crianças brasileiras com síndrome congênita acometidas por ZIKV. Realizou-se estudo qualitativo exploratório, documental e analítico, baseado na abordagem What’s The Problem Represented to Be? - (WPR), buscando interrogar as problemáticas presentes nas políticas de forma crítica, identificando representações destes problemas e as opções políticas. Os achados apontam para a forte influência da dimensão biologicista nas discussões sobre os determinantes da transmissibilidade e desfechos adversos decorrentes do ZIKV, limitando a implementação de políticas integradas; responsabilização da mulher no processo de cuidado; baixo envolvimento de ações de promoção da saúde e prevenção da doença, reduzindo as ações da vigilância em saúde ao diagnóstico e tratamento; abordagem de forma superficial das ações no campo do acolhimento e da educação em saúde. Os silêncios e as narrativas identificados no documento fragilizam a formulação de políticas intersetoriais e a implementação de ações que respondam de forma integral à complexidade do problema.