RELAÇÃO ENTRE CHUVAS E ADOECIMENTO POR LEPTOSPIROSE EM RECIFE: UM ESTUDO DE SÉRIE TEMPORAL, 2004-2023

Autores

DOI:

https://doi.org/10.16891/2317-434X.v14.e1.a2026.id3660

Resumo

Eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, estão ocorrendo com maior frequência ocasionando impactos ambientais, sociais e em saúde quando articuladas as iniquidades territoriais. O objetivo deste artigo é analisar a relação entre chuvas e a ocorrência de leptospirose na cidade do Recife-Pernambuco. Trata-se de um estudo analítico de serie temporal de 20 anos, no período de 2004 a 2023.  Utilizou-se dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação para leptospirose no município de Recife, considerando variáveis sociodemográficas, associados às médias pluviométricas mensais. A análise estatística foi realizada a partir da variância e análise de cluster dos dados.  Foram identificados 1.924 casos de leptospirose, sendo sua prevalência maior em homens (n=1.528, 79,40%), negros (n=1.145, 59,50%), de 20 a 59 anos de idade (n=1.314, 68,3%) e baixa escolaridade (n=535, 27,82%).  Entre os clusters analisados, observar-se que o aumento de casos de leptospirose é proporcional a elevação do índice pluviométrico. O cluster 3 (>353mm) apresenta a maior média de casos (23,32) seguido pelo cluster 2 (156<353) (10,28 casos).  Conclui-se que o padrão de adoecimento por leptospirose segundo os maiores níveis pluviométricos para o município do Recife aponta para a necessidade do desenvolvimento de ações de vigilância em saúde e intersetoriais, capazes de mitigar desfechos negativos em saúde decorrentes de vulnerabilidades socioambientais.

Biografia do Autor

Romário Correia dos Santos, Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho. Instituto Aggeu Magalhães- Fiocruz, Recife-PE, Brasil

Graduado em odontologia (UFPE), especialista (FIOCRUZ), mestre (UFBA) e doutorando (FIOCRUZ) em Saúde Coletiva. Apresenta interesse e desenvolve pesquisas/trabalhos nas temáticas: gestão do trabalho e da educação na saúde, atenção primaria á saúde; trabalhadores comunitários de saúde; processo de trabalho em saúde; análise política na saúde; as relações de saúde, ambiente e trabalho; resiliência dos sistemas de saúde; mudanças climáticas.

Aline do Monte Gurgel, Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho. Instituto Aggeu Magalhães- Fiocruz, Recife-PE, Brasil

Pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz. Doutora em Saúde Pública. Graduada em Biomedicina pela Universidade Federal de Pernambuco (2005), é especialista e mestre em Saúde Pública, atuando principalmente nos temas: saúde ambiental, saúde do trabalhador, saúde coletiva, mudanças climáticas, toxicologia, risco químico, exposição a agrotóxicos, petróleo e derivados, impactos à saúde e ao ambiente decorrentes da instalação de grandes empreendimentos.

Idê Gomes Dantas Gurgel, Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho. Instituto Aggeu Magalhães- Fiocruz, Recife-PE, Brasil

Médica pela Universidade Federal da Paraíba- UFPB, Mestre e Doutora em Saúde Pública pelo Instituto Aggeu Magalhães/Fundação Oswaldo Cruz-IAM/FIOCRUZ. Trabalha no Instituto Aggeu Magalães/Fiocruz Pernambuco como docente e pesquisadora, e coordena o Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho (LASAT) do Departamento de Saúde Coletiva. Tem desenvolvido estudos que tratam da relação Saúde, Ambiente, Trabalho e Vulnerabilizações Sociais, Análise de Política de Saúde e Translação do Conhecimento Científico para a Política de Saúde.

Garibaldi Dantas Gurgel Junior, Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho. Instituto Aggeu Magalhães- Fiocruz, Recife-PE, Brasil

PhD em Políticas Públicas e Serviços Sociais pela Universidade de Manchester e Mestre em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco. Especialista em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas/Universidade Estadual de Pernambuco. Docente/pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, lotado no Departamento de Saúde Coletiva/NESC do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/CPqAM e da Escola de Governo em Saúde Pública de Pernambuco - ESPPE.

Wayner Vieira de Souza, Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho. Instituto Aggeu Magalhães- Fiocruz, Recife-PE, Brasil

Possui graduação (Bacharelado) em Estatística pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas, especialização em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo, mestrado e doutorado em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz. Atualmente é tecnologista senior da Fundação Oswaldo Cruz. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Epidemiologia, atuando principalmente nos seguintes temas: inquéritos de prevalência, avaliação de métodos diagnósticos, bioestatística.

Josephine Borghi, International Institute for Applied Systems Analysis

PhD em economia da saúde pela London School of Hygiene & Tropical Medicine. Apresenta experiência na liderança de projetos de pesquisa que envolvem uma variedade de métodos, incluindo: avaliação econômica de programas de saúde, avaliação de métodos mistos de intervenções complexas e teorias de mudança e, mais recentemente, dinâmica de sistemas e modelagem baseada em agentes.

José Erivaldo Gonçalves , Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho. Instituto Aggeu Magalhães- Fiocruz, Recife-PE, Brasil

Enfermeiro pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE/CAV). Especialista em Filosofia e Direitos Humanos (UNIFAVENI). Especialista em Saúde Pública pelo Instituto Nacional de Ensino, sociedade e Pesquisa (INESP). Mestre e Doutor em Saúde Pública pelo Instituto Aggeu Magalhães - Fundação Oswaldo Cruz (IAM/Fiocruz). Membro do Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho (LASAT/IAM/Fiocruz).

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Publicado

2026-08-08

Como Citar

dos Santos, R. C., Gurgel, A. do M., Dantas Gurgel, I. G., Dantas Gurgel Junior, G., Vieira de Souza, W., Borghi, J., & Erivaldo Gonçalves , J. (2026). RELAÇÃO ENTRE CHUVAS E ADOECIMENTO POR LEPTOSPIROSE EM RECIFE: UM ESTUDO DE SÉRIE TEMPORAL, 2004-2023. Revista Interfaces: Saúde, Humanas E Tecnologia, 14(1), 6911–6921. https://doi.org/10.16891/2317-434X.v14.e1.a2026.id3660

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