INFÂNCIAS E SUAS INTERSECCIONALIDADES: SABERES E FAZERES DO(A) PSICÓLOGO(A) NA CLÍNICA COM CRIANÇAS
DOI:
https://doi.org/10.16891/2317-434X.v14.e1.a2026.idMEPESA20Keywords:
interseccionalidade; clínica infantil; psicanálise; ludicidade; diversidade.Abstract
Este relato de experiência tem como objetivo compreender de que maneira os marcadores sociais de identidade — como gênero, raça, classe, corporalidade e cultura — atravessam o saber-fazer dos psicólogos que atuam na clínica psicanalítica com crianças. Parte-se da compreensão de que a infância é uma construção social e histórica, e que práticas clínicas que desconsideram tais atravessamentos tendem a reproduzir invisibilizações e desigualdades. A metodologia adotada ancora-se em uma pesquisa qualitativa ainda em desenvolvimento, que utilizará entrevistas semiestruturadas com psicólogos como instrumento central de coleta de dados. As entrevistas, realizadas on-line, buscarão identificar como esses profissionais reconhecem, integram ou silenciam aspectos interseccionais em seu manejo clínico. O percurso formativo da pesquisadora — incluindo participação em aula sobre desenvolvimento infantil e a experiência como ministrante de um minicurso no VI Congresso de Psicologia do Cariri — também compõe a base metodológica, contribuindo para a construção analítica do estudo.
O relato articula referenciais da psicanálise com contribuições dos estudos interseccionais, destacando o brincar como linguagem privilegiada da criança e recurso fundamental para o acesso ao seu mundo interno. Resultados preliminares indicam a necessidade de repensar a seleção de brinquedos e materiais clínicos de modo a contemplar maior representatividade racial, de gênero, classe e diversidade corporal no setting terapêutico. Esses achados orientam a elaboração de um produto técnico-tecnológico — uma caixa lúdica interseccional — que visa qualificar a prática clínica com crianças, promovendo uma abordagem ética, crítica e sensível às pluralidades das infâncias contemporâneas.